quarta-feira, 22 de julho de 2009

Agradecimento



Ao encerrarmos este resumido relatório das atividades da conferência nestes vinte e cinco lustros de sua existência, cumprimos um dever indeclinável deixando consignado neste documento a nossa mais profunda gratidão aos revmos. Sacerdotes que durante este período exerceram em Votorantim a nobilíssima e santa missão de Cura d’Almas. Além do já citado Padre Zanolla, os franciscanos Frei Zeno e Frei Serafim, Padres da Consolata, ou melhor, os missionários da Consolata, Padre Zeferino, Padre Livio Cabrielli, Padre José Monticone, Padre Luis Trentini e o atual vigário Padre Antônio Maffei(foto). A todos esses sacerdotes que sempre foram solicitados quando chamados para prestarem socorro espiritual aos nossos pobres, pelo incentivo que sempre deles recebemos por meio de suas palavras amigas e paternais, salientando-se o conforto que nos proporcionaram quando a Conferência se viu sem teto para realizar as suas reuniões, pois o gabinete St. Terezinha que nos dava abrigo em sua sede, fechou as suas portas, dada a impossibilidade, por diversos fatores, de continuar a sobreviver, consentiram os nossos vigários que as nossas reuniões fossem realizadas na própria residência paroquial, o que foi feito a partir de 28-11-1948 até 17-08-1955, quando a prof. Dª Noemia Ramos gentilmente cedeu a sala de sua escola de costura, pintura e bordados, onde a conferência realiza ainda suas reuniões semanais. Por este gesto nobre de Dª Noemia Ramos, deixamos consignados neste modesto relatório os nossos mais profundos agradecimentos. Estendemos estes agradecimentos, sinceros, a todos os nossos subscritores, que muito nos ajudaram com suas contribuições mensais, aos benfeitores desta obra, que muitas vezes nos alentaram com os seus generosos donativos, proporcionando-nos a alegria de ampliarmos a nossa ação assistencial, também a eles o nosso sincero Deus lhe Pague.
Votorantim, 24 de Agosto de 1958.

Pela Conferência São João Batista

Eugenio Idelfonso


Da Religiosidade nasce uma Paróquia



“... pelo presente decreto erigimos e constituímos o curato de São João
Batista de Votorantim. Determinamos que esse curato se instale na capela
de São João Batista, ao qual concedemos os
direitos e prerrogativas de Matriz...”

Esse Decreto assinado por Dom José Carlos Aguirre, foi lido no dia 15 de maio de 1927 em missa solene celebrada pelo Reverendíssimo Frei Thomaz de Aquino, da ordem superior dos beneditinos e que era o prior do Mosteiro de São Bento em Sorocaba. Essa celebração realizada na capela de São João Batista, marcaria oficialmente a criação de nossa Paróquia.
O primeiro cura de Votorantim foi o Padre José Zanolla que tomaria posse em 21 de maio de 1927.
Importante ressaltar que as atividades religiosas na então capela São João Batista já ocorria antes da criação do curato, antigas anotações no livro do tombo dão-nos conta que a capela foi construída em 1920 e abrigava um centro de Apostolado da Oração um numeroso centro de catecismo e um centro de moças católicas havendo celebração de missa todos os domingos e dias santos pelo Coadjutor da Catedral de Sorocaba.
No ano da fundação da paróquia foi realizada a primeira festa do padroeiro com um tríduo solene de preparação nos dias 22,23 e 24 de Junho às 20:00 horas. No dia do padroeiro, por volta da 16:00 horas aconteceu uma solene procissão com cinco estandartes e oito andores caprichosa e artificialmente ornamentados com virgens e anjinhos e todas as crianças do catecismo levando as tradicionais bandeirinhas, essa procissão percorreu as principais ruas da vila industrial com a presença da banda local.
Essas festas se repetiram ano após ano sempre acompanhada de uma quermesse organizada por uma comissão que se preocupava mais com o aspecto lucrativo gerando um clima de aborrecimento e descontentamento num grande número de paroquianos comprometidos com o espírito de confraternização que essa festa deveria trazer em seu bojo.
No dia 10 de Julho de 1930 o curato de Votorantim recebeu pela primeira vez em sua história a visita pastoral do Bispo Diocesano Dom José Carlos Aguirre resumida a pregações feitas à noite na capela São João e a celebração da missa às cinco horas da manhã tendo-se encerrada a 18 de Julho com a celebração da missa.
No mês de março de 1931 um fato importante marcaria a vida da paróquia recém criada, membros da Congregação Mariana do Colégio Santa Escolástica de Sorocaba, iniciaram o catecismo dominical ás crianças da Vila. Com a Freqüência Assídua as aulas o primeiro grupo formado por cinqüenta e três crianças fariam a primeira comunhão no dia 17 de maio, num terceiro domingo do mês com missa celebrada pelo Bispo Diocesano. Incentivados pelos irmãos marianos de Sorocaba, no mês de maio de 1935 surgiria um grupo da congregação, pequeno a princípio, mas de uma grande devoção a Mãe de Deus, passaram a exercer um papel de muita importância à vida paroquial, foram os pioneiros na catequese alicerçando muitas de nossas comunidades mais antigas na construção das igrejas de Nossa Senhora Aparecida do Vossoroca, Santa Filomena, hoje Consolata do Rio Acima, e Imaculado Coração de Maria na Vila Amorim, destacando-se pela dedicação e coragem em enfrentar os obstáculos da caminhada, com a reza do terço nas famílias, aulas de catecismo a crianças de todos os bairros, motivando a vivência cristã para a formação das bases dessas comunidades.
Os missionários redentoristas de Aparecida do Norte marcaram presença em nossa paróquia no período de 3 a 15 de Junho de 1936 com a visita das Santas Missões como era chamado esse evento, com pregações e mantendo um contato mais íntimo com nosso povo através de celebrações, aulas de catecismo e momentos especiais de oração.
Em dezembro de 1936 o primeiro cura o Padre José Zanolla deixaria nossa paróquia para exercer a função de secretário diocesano e iniciou-se o período em que a nossa paróquia ficou anexada a Paróquia Bom Jesus dos Aflitos de Sorocaba, assumida pelos Frades Franciscanos.
No dia 16 de dezembro de 1944 Dom Aguirre abençoaria a Capela do Baltar localizada na antiga pedreira próxima à usina Itupararanga entregando a chave após a celebração ao Sr. Marcílio Pires que foi o primeiro catequista dessa capela.
Frei Zeno(foto), abnegado sacerdote, merece um capítulo à parte na história da paróquia, empossado em 1936 como vigário coadjutor aqui trabalhou arduamente por nove anos realizando uma obra missionária de grande alcance num campo dos mais difíceis e ingratos, foram muitos os obstáculos e adversidade contra sua conduta de missionário, mas Frei Zeno soube supera-los a todos sustentado pela sua Fé.
Os franciscanos encerrariam suas atividades em nossa paróquia dia primeiro de março de 1948, iniciando-se então o trabalho dos missionários da Consolata. O primeiro padre do instituto Missões Consolata provisionado como pároco, seria Zeferino Fastro.
No período de 17 a 31 de maio de 1948 aconteceria a visita da Santa Missão onde os padres Manoel e Marcos, Missionários Passionistas reforçam a força dos sacramentos na vida dos cristãos com pregações e celebrações onde ministraram muitos sacramentos. Uma antiga anotação no livro do tombo consta que nesse mesmo mês, maio de 48, foi erigido um cruzeiro defronte a Igreja São João Batista.
O Hospital Santo Antônio está de certa maneira ligado a vida da Paróquia, pois ele abriga de longa data o abnegado trabalho de assistência médica e religiosa das irmãs missionárias da Consolata bem como os padres dessa congregação que além de atuarem como capelães assistindo aos Enfernos, sempre colaboraram muito com as atividades litúrgicas da paróquia.
Também digno de nota lembrarmos o início das atividades da Ação Católica ocorrida no dia 29 de Junho de 1949, solenidade de São Pedro Apóstolo e Festa do Papa. À tarde em sessão solene num salão da antiga rua do comércio, foi inaugurado o núcleo local da Ação Católica Brasileira sendo apropriada a essa entidade algumas atividades até então já existentes como a Biblioteca Popular Infantil e o Grêmio de moços católicos. Os numerosos membros das associações religiosas e o povo em geral, lotaram completamente o salão demonstrando simpatia pelos oradores e do festival oferecido pelo grêmio.
No dia 08 de Agosto de 1965 a Paróquia recebeu a visita de Nossa Senhora da Ponte, padroeira da Diocese. Foi uma data muito festiva, as associações religiosas e o povo em geral receberam a imagem na entrada da cidade, conduzindo-a em procissão até a Matriz onde foi celebrada uma missa às nove horas, as irmandades fizeram cada qual sua hora de guarda diante da virgem e os paroquianos mais bastados puseram a disposição caminhões e carros para o acompanhamento de volta a Sorocaba.
Pra onde caminhava essa Igreja bem comportada socialmente falando, apoiada nas práticas religiosas de suas irmandades? Era uma igreja missionária, sem dúvida alguma, porém muito fechada em si mesma, nos seus ritos, nos seus sacramentos e na conversão pessoal dos seus membros. Novos tempos estavam por chegar...

Surge uma nova Igreja

DOS APELOS DO CONCÍLIO
SURGE UMA NOVA IGREJA

A história de nossa paróquia tem dois períodos bem distintos, o primeiro é esse, cujo perfil em notas bem resumidas tentamos descrever no texto anterior, o segundo começou com as renovações do concílio do Vaticano II que traria aos cristãos uma nova consciência despertando a igreja para o seu papel no mundo.
Poderíamos dizer que já em 1968, ainda tendo por vigário o Padre Luiz Trentini, as reformas do concílio trouxeram as primeiras mudanças na organização da vida paroquial. Numa reunião realizada no primeiro domingo do ano, foi constituído um conselho com membros escolhidos das diretorias, das associações religiosas e das conferências vicentinas visto que nesse setor o padre vigário tinha encontrado grande apoio e freqüência ao chamados dos leigos.
Nessa reunião discutiu-se uma forma de melhorar a administração dos sacramentos do Batismo, Matrimônio e Primeira Eucaristia. Limitou-se o número de crianças no catecismo, dividindo-se em dois grupos separados por semestres. Eram os primeiros passos do envolvimento do leigo na vida paroquial caminhando-se para uma comunhão mais autêntica, de vida e de trabalho.
Em março de 1967 teria início a construção da tão sonhada nova matriz e dois anos mais tarde, o Padre Luiz Trentini deixaria expressa sua alegria de apostolado fazer essa anotação no livro do tombo. No dia 04 de março comemoramos com orações em ação de graças o segundo aniversário do início dos trabalhos da construção da nova igreja que já vai bem adiantado, contamos com a ajuda de Deus, poder celebrar lá, as festas do Santo do Natal. De modos que agradecemos ao Senhor, que o nosso sonho, graças ao esforço dos paroquianos, seja hoje uma realidade. A comissão dos trabalhos tem quer ser elogiada, pois lá está a olhos vistos o esforço que empreenderam. Há muitos comentários, calúnias e aborrecimentos por parte dos que nada fizeram, mas a verdade é que ela lá está, grande, ampla, majestosa. O que carecíamos era de esperança e isso há bastante. Acreditamos que, com a renda da festa do padroeiro em 1970 possamos concluí-la...
Na vida de nossa paróquia, em momento algum poderíamos esquecer do trabalho corajoso e edificante desempenhado pelos missionários da Consolata ao longo de 23 anos e dois meses de pastoreio, foram eles sem dúvida alguma que abriram sulcos nessa terra íngreme lançando a semente da palavra de Deus, desde o Padre Zeferino Fastro até o Padre Luiz Trentini, quanta luta quantos sacrifícios, quantos obstáculos foram superados, muitas vezes até com lágrimas para implantar-se definitivamente em Votorantim a Igreja de Cristo.
Padre Luiz Trentini foi o último missionário a deixar aqui a sai marca. O jornal Paroquiação, ao narrar um pouco à história da Comunidade São João, dedicou algumas linhas a sua obra missionária:
“O seu busto ergue-se majestoso, a entrada da praça que leva o seu nome, as gerações mais novas talvez passem indiferentes, porém aqueles que tiveram a felicidade de conhecê-lo, ao passarem por aquele monumento, sabem que o verdadeiro busto desse emérito sacerdote está mais adiante no prédio que projeta suas linhas arrojadas para o alto e que foi o grande sonho de toda a comunidade, realizado sob a coordenação desse zeloso ministro de Deus e abnegado missionário. A ele e a todos os demais missionários da Consolata, deixamos nessas anotações históricas a nossa perene gratidão.”

Jornal Paroquiação-Maio de 1987



A Família Vicentina no Brasil

A Sociedade de São Vicente de Paulo faz parte de uma grande família espiritual, a Família Vicentina. Trata-se de um conjunto de congregações, organismos, movimentos, associações, leigos e religiosos, que, de forma direta ou indireta, prolongam no tempo o carisma vicentino; sejam eles fundados ou não por São Vicente de Paulo. No mundo existem mais de 165 Ramos da Família Vicentina.
De acordo com o grau de afinidade de cada ramo, a Família Vicentina tem como herança uma acentuada orientação para o serviço aos pobres, espiritualidade baseada em São Vicente de Paulo, com ênfase na caridade concreta e prática, vivida com humildade.
A família vicentina tem procurado intensificar os laços de carisma vicentino à luz dos apelos de hoje, além de empreender projetos conjuntos de serviço aos pobres, em conformidade com seus novos e atuais clamores.
Sob a coordenação de uma equipe nacional e de equipes regionais, a Família Vicentina no Brasil deseja ser uma instancia de serviço aos pobres dentro da igreja. Atualmente, são conhecidos no país, oficialmente, 23 ramos da Família Vicentina.

RAMOS DA FAMÍLIA VICENTINA NO BRASIL
Ø Associação Internacional de Caridades –AIC
Ø Juventude Marial Vicentina.
Ø Associação da Medalha Milagrosa.
Ø Sociedade de São Vicente de Paulo –SSVP.
Ø Associação Padre Giácomo Gusmano.
Ø Associação Luísa de Marillac.
Ø Associação dos Ex. Alunos dos Lazaristas e dos Amigos e Amigas do Caraça.
Ø Associação dos Amigos da Família Vicentina.
Ø Missionários(as) Leigo(as) Vicentinos(as).
Ø Associação da Caridade de São Vicente de Paulo.
Ø Companhia das Filhas da Caridade.
Ø Irmãs da Caridade de Santa Joana Antida Thouret.
Ø Irmãs de São Vicente de Paulo de Gysegem –Servas dos Pobres.
Ø Congregação das Irmãs de Caridade da Mãe de Misericórdia.
Ø Congregação das Irmãs Servas dos Pobres.
Ø Instituto das Filhas de Maria Servas da Caridade.
Ø Instituto das Irmãs de Maria Reconciliadora.
Ø Irmãs da Caridade sob a proteção de São Vicente de Paulo.
Ø Congregação da Missão.
Ø Congregação dos Fráteres de Nossa Senhora, Mãe da Misericórdia.
Ø Congregação dos Religiosos de São Vicente de Paulo.
Ø Missionários Servos dos Pobres
Ø Instituto dos Filhos da Caridade

terça-feira, 21 de julho de 2009

Antonio Frederico Ozanam




MODELO PARA A JUVENTUDE

Fundador da Sociedade de São Vicente de Paulo (SSVP) nasceu em Milão a 23 de Abril de 1813. seus pais, João Antonio Francisco Ozanam e Maria Nantas (ele, médico), embora não sendo ricos, contavam com recursos de uma família de classe média.
Seus estudos iniciais foram no colégio Real de Lion, dirigido por um sacerdote, embora a maioria dos professores fossem leigos e partidários do materialismo e do ateísmo.
Aos 15 anos, matriculou-se no curso de Filosofia, mas aa convivência com colegas e mestres de tendências materialistas fez com que experimentasse dúvidas de fé, superadas com a assistência de um sacerdote, Pe. Noirot.
Optando por estudar direito, Ozanam transferiu sua residência para Paris, onde passou a freqüentar a Universidade de Sorbone e continuou, no campo das idéias a se debater com as idéias materialistas, então divulgadas pelos jornais estudantis e pregadas em reuniões extra classes.
O ateísmo predominava as mentes da maioria dos alunos e professores da Universidade e os poucos estudantes católicos que a freqüentavam eram ridicularizados e sofriam permanentes e violentos ataques. Diante dessa gravidade, viu-se, então Ozanam compelido a reagir com as mesmas armas. Tratou de reunir alguns jovens para que, juntos, também realizassem encontros para discutir os assuntos do momento e defender e realçar a ação da Igreja Católica. Tais encontros, também chamados “Conferências de História” se transformaram em “Conferência de Caridade”, que depois, com a multiplicação, a Sociedade de São Vicente de Paulo, fundada no dia 23 de abril de 1833.

DEFESA DA IGREJA E A PREFERÊNCIA PELOS POBRES

A maior bandeira de luta de Antônio Frederico Ozanam e que norteou toda a sua vida foi à defesa da Igreja Católica, muito atacada na época pelo ateísmo e materialismo. Para tanto, usou de todos os seus recursos, como jornalismo, literatura e magistério superior. Esteve presente nos grandes momentos da história da França, principalmente na Revolução de 1848.
Na ânsia de modernizar a Igreja, pregava insistentemente uma atenção especial para com os pobres, trabalhadores e sofredores, lançando com isso, as bases da Doutrina Social da Igreja (DSI) implantada mais tarde pelo Papa Leão XIII, com a Encíclica Rerum Novarum.
No seu testamento, há uma síntese dessas idéias e das preocupações com a realidade histórica do seu tempo. De pequena estatura e físico frágil, Ozanam sempre demonstrou uma grande fortaleza espiritual. Rezava muito, glorificando a Deus nas pequenas coisas. Amante da natureza, não se continha em emoções ao contemplar, por exemplo, o mar, para onde ia sempre, por recomendações médicas. Foi esposo dedicado e pai amoroso, muito lamentando não ter podido acompanhar o crescimento e a educação de sua filha.
Escreveu muito, como literato, jornalista e pesquisador. Ozanam faleceu em oito de setembro de 1853 após curta, mas intensa existência.
Foi beatificado em 22 de agosto de 1997. Celebração litúrgica: nove de setembro.

São Vicente de Paulo



PATRONO DE TODAS AS OBRAS DE CARIDADE

Vicente de Paulo nasceu na cidade de Pouy na França, aos 24 de abril de 1581. filho de pobres camponeses, manifestou o desejo e gosto para o estudo. Entrou para o seminário e foi ordenado padre ainda bem novo, com apenas dezenove anos de idade.
O início de sua vida sacerdotal foi marcado por muitas dificuldades e desacertos. Inicialmente, estava muito preocupado em ajudar sua família e em conseguir certa estabilidade financeira. Diante de uma série de fracassos, foi amadurecendo e, sobretudo a partir de 1613, se lançou inteiramente no serviço aos pobres.
Em contato com os camponeses, conheceu o estado de abandono religioso e miséria em que viviam as populações do campo. Percebeu que os pobres tinham necessidades urgentes e que, para ser fiel a Cristo, era preciso servi-los. Começou então, a pregar missões entre os pobres e a fundar diversas organizações de caridade.
Passando a residir em Paris e enfrentando uma época de guerra, confusão política de grandes problemas sociais e de desorganização da Igreja, Pe. Vicente de Paulo passou a se dedicar inteiramente á evangelização e serviço dos pobres. Para esse fim, fundou a Congregação da Missão, e a Companhia das Filas da Caridade. De muitas maneiras e com criatividade, desenvolveu uma intensa ação caritativa e missionária, sempre contando com os padres e irmãos de sua Congregação com as irmãs de Caridade e com muitos leigos e leigas generosos.
Entendia que o pobre é a imagem de Cristo desfigurado, a quem devemos servir. E a Igreja deve estar a seu serviço. Por isso, atuou na reforma da Igreja, sobretudo muito colaborando na reforma do clero.
Faleceu no dia 27 de setembro de 1660, foi beatificado em 1724 pelo Papa Bento XIII e canonizado em 1737.

“Voltemos nossa mente e nosso coração para São Vicente de Paulo, homem de ação e oração, de organização e de imaginação, de comando e de humildade, homem de ontem e de hoje. Que aquele camponês das Landes, convertido pela graça de Deus em gênio da Caridade, nos ajude a todos a pôr mais uma vez as mãos no arado – sem olhar para trás - para o único trabalho que importam o anúncio da Boa Nova aos pobres...”
(João Paulo II)

A SSVP e sua aprovação Pontifícia


A Sociedade de São Vicente de Paulo foi fundada em Paris aos 23 de abril de 1833, por Antônio Frederico Ozanam (hoje Bem-aventurado), e seus companheiros. A finalidade era testemunhar a fé mediante atos concretos de caridade para com o próximo necessitado. Ozanam e Taillandier levaram à casa de um pobre um pouco de lenha para fazer fogo e preparar uma sopa de batatas. Foi o primeiro gesto de caridade destes jovens acadêmicos.
Diante da incerteza sobre quem atender e como assistir, consultaram o professor Emanuel Ba-illy. Ora este conhecia a pessoa e os trabalhos da Irmã Rosalie Rendu, FC, no bairro mais pobre de Paris, Mouffetard. Foi com esta Filha da Caridade que os jovens começaram o aprendizado da caridade, me- diante a visita a domicílio e as primeiras orientações para um exercício efetivo no serviço dos pobres. A pessoa da Ir. Rosalie, a sua expe-riência no contato com as mais diversas categorias de pobres, o seu testemunho de desprendimento e de disponibilidade, incentivaram Ozanam e seus companheiros a empreender esta tarefa de caridade e de promoção humana. Foi assim o início simples e modesto das Conferências Vicentinas.
A atividade da Conferência recebeu apoio e aprovação dos padres e da hierarquia da Igreja. Pois os membros da Conferência se reuniam sob o signo religioso, com respeito e obediência à hierarquia eclesiástica.
Com o seu crescimento e sua expansão fora de Paris e mesmo fora da França, Ozanam esforçou-se por obter a aprovação de Roma, a fim de poder expandir-se em outros países e receber o apoio e a aprovação dos Bispos. E a Providência sorriu para Ozanam, pois ele tinha amizade e correspondência com Dom Bartolomeu Alberto Cappellari, então Prefeito da Congregação da Propagação da Fé (Propaganda Fide). Desde Lyon, Ozanam mantinha contatos com ele e colaborava com esta obra missionária. Em 1831, Dom Bartolomeu A. Cappellari foi eleito Papa e tomou o nome de Gregório XVI. Ozanam e sua esposa Amélia Soulacroix foram agraciados com uma audiência particular do Papa já conhecido há muito tempo.
Por isso, entende-se, porque este mesmo Papa Gregório XVI aprovou o Estatuto das Sociedade de São Vicente de Paulo, com dois Breves: Breve de 10 de janeiro de 1845 e Breve de 12 de agosto do mesmo ano e concedeu as devidas Indulgências próprias para a Sociedade. A aprovação pontifícia reconheceu oficialmente a Sociedade de Vicente de Paulo, como “uma associação de natureza eclesial, mas com caráter leigo, ao serviço da Igreja e da Sociedade”. (Vincentiens aujourd’hui - Animation Vincentienne Nº 79-80, p.48 e Roczniki Wincentynskie, Nº 1, 2003, p. 118). O Breve deu à SSVP plena autonomia na sua organização e na administração dos seus bens patrimoniais, sem nenhuma interferência da hierarquia eclesiástica.
Hoje, a presença da SSVP no mundo, abrange mais de 135 países, atingindo ou ultrapassando um milhão de membros ativos. Os seus membros, leigos católicos de ambos os sexos, adultos, jovens ou adolescentes, tem por objetivo:
- a busca de equilíbrio entre oração e ação (unidade de vida);
- um engajamento pela justiça social;
- um encontro pessoal com os que sofrem, um relacionamento de proximidade;
- realização de diversas atividades em constante adaptação, em colaboração com outros ramos da Família Vicentina ou Entidades afins.
Os seus membros aspiram, em corresponder à sua vocação por uma vida de caridade e de apostolado, isto é: testemunho de sua fé pelo amor pessoal para com os que sofrem. À luz das fontes evangélicas e dos ensinamentos do Vaticano II, e na presença deste mundo atual em que eles assumem a missão como leigos engajados, os vicentinos redefinem a missão própria e as suas aspirações. A SSVP, com todos os seus membros, sentem com a Igreja as novas dimensões da solidariedade universal. Os obstáculos gerados pelas injustiças sociais, as misérias da fome, os sofrimentos do subdesenvolvimento fazem parte da vida dos vicentinos e os interpelam em todos os continentes.
A vocação vicentina não se limita apenas no serviço dos pobres, mas também no conhecimento, aprofundamento e na vivência da espiritualidade vicentina que diz respeito às relações entre a pobreza, a justiça e a caridade. Fala-se hoje que no serviço do próximo e sobretudo dos mais pobres, há uma espécie de “sacramento”que é a proximidade do Cristo sofredor, presente nos pobres.
Lá se situa o centro da espiritualidade vicentina: ela põe à prova aquilo que pode significar a presença de Cristo na Eucaristia, como a sua presença nos pobres.